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Um dedo de prosa 

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O banquete de Belsazar - a mesa da idolatria

  • Foto do escritor: Kaio Vinícius
    Kaio Vinícius
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 14 horas


Quando criança, e ainda em um tempo não muito distante, me recordo, com muita saudade, por sinal, das reuniões na casa da minha avó por parte de pai. Todos sempre em volta da mesa, farta, com muita risada e comida boa. Apesar de nada luxuoso ou de uma mesa posta, o melhor era mesmo o que aquilo produzia: felicidade, cheiro de aconchego, de "casa de vó". 


Para mim, aquilo verdadeiramente era um grande banquete. Bem diferente do que é representado ao longo da história, onde banquetes simbolizavam momentos de poder, riqueza e status social. Seja na Roma Antiga ou na Idade Média, onde os espetáculos eram tão fascinantes quanto uma mesa quilométrica de alimentos privilegiados, momentos assim tinham um peso social importante: o privilégio, a separação de um público. 


Hoje, leitor(a), você pode estar acostumado a participar dessas ocasiões; afinal, isso ganhou, notoriamente, um sentido mais inclusivo. Pois, estar em um banquete traz a essa geração uma plataforma para networking, celebrar conquistas e seguir com seus objetivos. E não que isso esteja errado. 


Mas lembro-me bem de um banquete onde um rei chamado Belsazar, na antiga Babilônia, sucessor, não direto de Nabucodonosor, reuniu cerca de mil homens importantes do seu reino para comer e beber vinho à vontade.  O rei manda então trazer os utensílios tirados do templo de Jerusalém para que os usassem nesse banquete.


A Bíblia é enfática em dizer que "haviam sido tirados do templo da Casa de Deus, e beberam neles, dando louvores aos deuses de ouro, prata, bronze, ferro, madeira e pedra".


Instrumentos da Casa de Deus em um banquete que servia a outros deuses.

Um jantar babilônico, movido por outras intenções, de corações idólatras, louvando e glorificando o material, e usando os utensílios da Casa do Deus de Israel. 

Deus sendo usado para interesses próprios. E isso é atual para você, leitor (a)? Interesses disfarçados e camuflados em grandes eventos, cursos de inteligência emocional e alta performance, tornando princípios em valores comercializáveis?


Ouso a dizer-lhe: a moeda de troca dessa geração. 

Eu aproveito d'Ele para render, eu O convido para minha mesa e falo d'Ele para convencer e lucrar. As pessoas são servidas com os Seus utensílios, mas o coração está louvando os seus ídolos.


A questão é que para participar do Reino, nunca foi preciso ser rei, e muito menos ser seletivo, e menos ainda se valer de bens materiais. O alvo não é ter, acumular ou exibir uma vida onde o que conquistou e o lugar onde você está representam o sucesso de Deus em você. 


Falam de Deus e O vendem como privilégio. Jesus é cada vez mais negociado, sutilmente, nas entrelinhas, camuflado nas palestras, tornando as emoções de quem os ouvem mais infladas do que a Palavra, que é imutável. 


Mas a história continua e conta que uma mão começou a escrever na parede caiada do palácio real, ao ponto de o rei Belsazar ficar tremendo de medo e perturbado. Exigiu imediatamente alguém que interpretasse aquelas palavras. O nobre rei não estava entendendo nada, mas sabia que algo sério estava acontecendo. 

”Caiada" — parede pintada com cal, onde a aparência é de sempre limpa, mas que biblicamente sempre se refere a algo bonito por fora e morto por dentro. 


"Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos mortos..." (Mt 23:27). 

Que irônico, não? Deus escrever em uma parede que parece ser sempre limpa uma mensagem que ninguém estava entendendo. Poxa, logo em um banquete? Com todas aquelas pessoas privilegiadas ao redor da grande mesa? 


Meu amigo leitor(a), Deus continua escrevendo, falando, mostrando em paredes que parecem limpas, mas por dentro estão cheirando a sepulcro, aquilo que Ele não concorda. Não conheço um deus de privilégios e pouco acessível, mas um Deus que atravessa a hipocrisia para chamar a atenção de quem quer ouvi-Lo. 


Daniel era o único que podia interpretar e logo se apresentou ao rei, que claramente quis comprá-lo para receber a interpretação, prometendo-lhe roupas de púrpura, correntes de ouro, além de um cargo alto no reino. Até quando, leitor? Até quando o que você tem de Deus será negociado para o seu sucesso, a sua ascensão e a sua estabilidade? 


Eles primeiro falam que você está atrasado, depois oferecem experiências para destravar seu futuro e então o convencem a se vender aos privilégios. Mas tudo isso em um lindo banquete — e entre louvores e palavras — que, como a parede caiada, voltam vazias, alimentam as emoções e o fazem dependente de um sistema retroalimentado pela hipocrisia. 

Particularmente, olho para isso tudo e só sinto saudade daquele velho banquete simples da casa da minha avó, onde Deus é glorificado nas risadas, no cheiro do café passado na hora, na vontade de cada um estar ali, com um interesse claro em ser família. 


Termino escrevendo as palavras que Daniel viu na tal da parede caiada: Mene, Mene, Tequel e Parsim — essa geração de moeda de troca, usando a Palavra, está com os dias contados. 


Até a próxima, leitor! Que o Senhor o(a) abençoe!

 
 
 
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